Onças

Eles trabalham para a proteção das onças e de outros animais

Elas já viviam no Brasil muito antes de nossos pais e avós terem nascido. Estamos falando das onças, que eram encontradas em quase todo o país, mas devido à derrubada das florestas para construção das cidades e da caça a estes e outros animais, foram desaparecendo.

Hoje as onças vivem principalmente na Amazônia e no Pantanal, onde estão mais protegidas, pois são áreas selvagens muito grandes e com pouca gente morando. Para que elas não desapareçam por completo, há quem trabalhe para isso, como o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP).

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Foto CENAP / Equipe durante trabalho de campo

Proteger e estudar esses animais é uma das principais tarefas do CENAP, onde diversos veterinários e biólogos trabalham. Mas não pense que o CENAP cuida somente das onças, o centro também se preocupa com outros carnívoros e mamíferos selvagens (animais que vivem nas matas, alimentam-se de carne e possuem glândulas mamárias, permitindo que as fêmeas produzam leite para alimentar seus filhotes). Entre esses animais estão a onça-pintada e a onça-parda, o lobo-guará, a ariranha (da família da lontra), a jaguatirica, o quati, o gato-do-mato, o cachorro-do-mato, entre outros.

Faz parte desse grupo o veterinário Paulo Roberto Amaral (na foto acima, o primeiro da esquerda para a direita), analista ambiental do CENAP. Segundo ele, não basta proteger apenas as onças, é preciso proteger também as terras onde elas vivem. “Temos que impedir que as pessoas matem as onças e criar áreas protegidas para que elas possam viver”, diz Paulo, que aconselha: “É muito importante que vocês, que ainda vão viveram muito tempo, também protejam a natureza. O lugar da onça, do lobo, de todos os animais é nas matas e nos campos, vivendo livres e em paz. Então, não comprem passarinhos ou qualquer outro bicho selvagem para prendê-los em gaiolas, não comprem peles de onça e reclamem quando virem alguém dizendo que é legal matar um bicho. Peçam para os seus pais levarem vocês para passear nos parques da natureza. Não só no shopping”, ensina o veterinário.

Este tema dá trabalho!

Criança ComCiência (CCC): O que faz um analista ambiental?

Como analista ambiental Paulo faz um monte de coisas: cuida da floresta, conserta motor de barco para andar pelo rio, dá multa para quem prende passarinhos para vender, estuda os animais e muito mais. Muitas vezes ele precisa ficar bastante tempo no escritório do CENAP estudando, escrevendo e orientando quem liga para saber o que fazer se uma onça estiver atacando seus os bezerros, por exemplo. Algumas vezes ele sai para ensinar, Paulo faz apresentações e exposições sobre o seu trabalho. E, pelo menos uma vez ao ano, ele sai para o campo para capturar um mamífero carnívoro, com o objetivo de fazer estudos. Estes estudos envolvem contar quantos animais encontraram, saber onde vivem, quantos filhotes poderão ter, como está a sua saúde de cada um deles e muitas outras coisas.

CCC: Como a equipe do CENAP captura uma onça?

Pegar uma onça para estudar não é uma tarefa tão simples, o grupo chega a ficar de 30 a 40 dias na floresta para capturar um animal, existem três maneiras básicas para se fazer isso (mas não tente fazer isso, pois é muito perigoso):

  1. Seguindo o rastro da onça com a ajuda de cachorros. Os cães acompanham a equipe do CENAP e perseguem a onça até ela subir numa árvore. A equipe atira um dardo com anestésico, fazendo com que a onça adormeça e caia da árvore, mas não se assuste, pois a equipe apanha a onça numa rede para que ela não se machuque antes de atingir o solo. O problema é que neste caso se algo der errado tanto onça, cachorros quanto equipe podem se machucar.
  2. Armadilha – a equipe prepara uma caixa de arame bem reforçada com uma isca dentro. Quando a onça entra na caixa para comer a a isca, esta se fecha e a onça fica presa. De fora, a equipe atira um dardo tranquilizante e espera o animal dormir. O problema é que armadilha é muito pesada para ser transportada no meio da mata e as onças são muito espertas, por isso também é difícil que elas entrarem na armadilha.
  3. Armadilha do laço – Devido a esses problemas acima, a equipe de Paulo tem usado a “armadilha de laço” para capturar as onças. O laço é feito com um cabo de aço bem forte, que fica escondido numa trilha onde a onça costuma passar. Se ela pisar no laço, este se fecha e a onça fica presa pela pata. Para evitar que ela se machuque, um transmissor (um aparelho presente no laço) faz com que um sinal apite na base, onde a equipe do CENAP fica localizada avisando que a onça foi pega e onde ela está. Assim como nos outros casos, ao encontrar a onça a equipe atira um dardo tranquilizante e espera o animal dormir.

“Depois que a gente comprova que a onça está completamente anestesiada, tiramos sangue, urina, pelos e parasitas (carrapatos e pulgas) para fazer exames. Medimos o bicho todinho (comprimento, altura, tamanho dos dentes etc.). Se for preciso, colocamos uma coleira que vai mandar sinais de onde o bicho vai andar. Quando tudo termina, deixamos a onça numa situação protegida e, de longe, esperamos ela acordar e ir embora”.

Algumas vezes esse trabalho de procurar onças no meio do mato resulta em histórias engraçadas conta Paulo: “Uma vez no Pantanal, estávamos preparando uma armadilha de laço e o meu amigo estava limpando o chão, no meio das folhas secas e do capim. Quando ele foi puxar um pequeno galho, ele deu um baita grito e jogou o galho pra cima. Era um filhote de cobra sucuri. Ele não fez nada e saiu correndo para o rio. Todo mundo deu risada”.

Multimídia

Vìdeo “Ensinando a desenhar onça-pintada”. Aprenda a desenhar uma onça passo a passo:

https://www.youtube.com/watch?v=o7B4IiQdz6c

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Megafauna Pleistocênica

Gigantes do passado

Aposto que você já ouviu falar algo sobre os dinossauros, não é mesmo? Mas você sabia que, muito tempo depois da extinção dos dinossauros, viveu em nosso planeta outro grupo de grandes animais, na sua maioria também já extintos? Esse grupo de animais é conhecido como Megafauna Pleistocênica.

Achou o nome complicado? Então vamos lá: Megafauna significa conjunto de animais (fauna) de grande tamanho (mega) e Pleistocênica refere-se à época em que eles viveram no planeta Terra, o Pleistoceno. Os geólogos costumam dividir a história da Terra em eras, períodos e épocas, cada uma delas com um nome diferente, assim como nós dividimos os anos em meses, semanas e dias. O Pleistoceno é a época que se iniciou há aproximadamente 2,6 milhões de anos e terminou há cerca de 11.000 anos, quando chegou ao final o que os cientistas chamam de “Era do Gelo”. Foi nesse intervalo de tempo, portanto, que viveu a Megafauna Pleistocênica.

“A Megafauna Pleistocênica habitou todos os continentes do planeta, menos a Antártida”, nos conta Hermínio Ismael de Araújo Júnior, paleontólogo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Mas o conjunto de animais encontrado em cada continente era diferente”, explica o pesquisador. Quais eram os animais que estavam presentes em cada localidade dependia do tipo de ambiente que existia lá: se havia matas mais fechadas ou mais abertas, se havia pastagem, se chovia muito ou pouco, se fazia muito frio… No filme “A Era do Gelo”, aparecem animais da Megafauna Pleistocênica que viveram principalmente no hemisfério norte do planeta, como o mamute (o Manny, no filme). Já no Brasil, estavam presentes principalmente espécies de preguiças-gigantes, tatus-gigantes, tigres-dentes-de-sabre, mastodontes (parentes antigos dos elefantes), toxodontes (animais que lembravam um hipopótamo), paleolhamas (lhamas pré-históricas) e macrauquênias (não há nenhum animal parecido com a macrauquênia hoje em dia!).

Os fósseis que ficaram preservados nas rochas são, hoje, a única forma de conhecermos sobre esse conjunto de animais extintos. No Brasil, os fósseis de animais da Megafauna Pleistocênica são encontrados principalmente nas rochas formadas em antigos rios e lagos, em cavernas e em tanques naturais (formações encontradas somente na região Nordeste do país – veja a foto abaixo). “Os fósseis da Megafauna são bastante úteis para nos informar sobre os ambientes que existiram no passado, pois os mamíferos de grande porte vivem principalmente em ambientes mais secos e com vegetação mais aberta”, parecidos com a paisagem das savanas africanas de hoje em dia. “Esse é o tipo de ambiente que se acredita que existiu no país durante o Pleistoceno”, diz Araújo Júnior.


Tanque natural em Itapipoca, Rio Grande do Norte (Imagem: Celso Lira Ximenes, 2007).

Tanque natural em Itapipoca, Ceará (Imagem: Celso Lira Ximenes, 2007).

Os tanques naturais da região Nordeste são formações que lembram uma bacia escavada na rocha. Ao longo do tempo, essas bacias enchem-se de sedimentos que são trazidos pelo vento e pelas enxurradas causadas pelas chuvas. Junto com essa água, ossos de animais da Megafauna Pleistocênica que morreram próximo dos tanques podem também ser transportados, ficando preservados em seu interior.


Homem e Megafauna Pleistocênica

A espécie humana teve sua origem no continente africano, por volta de 200 mil anos atrás, e logo se espalhou pelo mundo, ocupando a Europa, a Ásia, a Oceania e, por último, as Américas. A chegada do Homem na América do Sul tem pouco mais de 10.000 anos (embora esse seja um ponto de grandes discussões entre os cientistas!). Essas datas nos indicam que os primeiros seres humanos modernos (chamados pelos cientistas de Homo sapiens) devem ter encontrado mamutes, tigres-dentes-de-sabre e companhia por aí. “Muitos dos animais que compõem a megafauna coexistiram com a espécie humana em diversos continentes, incluindo a América do Sul. No Brasil, as evidências dessa coexistência ainda são raras, porém algumas são bastante fortes para indicar que o homem pré-histórico e a Megafauna coexistiram e interagiram ao longo do final do Pleistoceno”, explica Araújo Júnior.

O que ainda não pode ser afirmado, no caso do Brasil, é que os seres humanos caçaram esses animais gigantes. Embora haja evidências de que homens pré-históricos e animais tenham vivido nos mesmos locais, nunca foram encontradas provas definitivas de que os seres humanos matavam esses animais para se alimentar de sua carne. Caso isso acontecesse, era esperado encontrar ossos desses animais com marcas de corte, junto com as ferramentas de pedra usadas pelos homens pré-históricos, por exemplo, como já ocorreu na América do Norte. Agora, por que esses primeiros povos sul-americanos não caçavam a Megafauna Pleistocênica, que poderia oferecer a eles um bom banquete, nenhum cientista foi ainda capaz de responder.

A extinção do grupo

Estudando os fósseis da Megafauna Pleistocênica, os paleontólogos têm tentado desvendar outro dos grandes mistérios envolvendo esses animais: o que foi que causou sua extinção. Muitas hipóteses foram sugeridas e não há ainda uma resposta definitiva, o que leva os cientistas a pesquisarem cada vez mais. Hermínio nos explica, porém, que há hipóteses que são mais prováveis do que outras, por apresentarem mais evidências entre os fósseis que já foram encontrados. “Em todo o mundo diversas hipóteses têm sido levantadas para explicar a extinção da megafauna, porém a hipótese mais aceita está relacionada à mudança climática que afetou o final do Pleistoceno (por volta de 11.000 anos antes do presente), levando o planeta a um clima mais quente e úmido, diferente do clima para o qual a maioria das espécies da Megafauna Pleistocênica estava adaptada: clima seco e frio”. A chegada dos humanos em novos continentes também pode ter contribuído para a extinção desses animais, uma vez que em alguns lugares, há sinais de que os homens pré-históricos os caçaram. “Atualmente, muitos paleontólogos aceitam essas hipóteses de modo complementar, assumindo que a mudança climática pleistocênica foi a principal responsável por essa extinção, a qual foi acelerada pela ação predatória dos humanos”, diz Araújo Júnior.

O fato é que a extinção da Megafauna Pleistocênica fez com que esses grandes animais sumissem de vez do nosso continente. Mas se engana quem pensa que eles desaparecem completamente do mundo todo. Ao contrário do que aconteceu com os dinossauros, que não podem mais ser encontrados vivos, você ainda tem a chance de ver representantes da Megafauna andando por aí. É só fazer uma visitinha ao continente africano, onde elefantes, girafas, hipopótamos, rinocerontes, leões, continuam a nos dar provas de quão exuberante foi a Megafauna Pleistocênica. “Assim como os dinossauros, ela é um registro da evolução dos organismos ao longo do tempo geológico e uma evidência de como o nosso planeta se modificou durante sua história”, declara, apaixonado pelo seu trabalho, o paleontólogo.

Representantes da Megafauna Pleistocênica brasileira!

Preguiças-gigantes EREMOTHERIUM

Existiram diversas espécies de preguiças-gigantes no Brasil e nem todas elas eram tão grandes (a menor preguiça-gigante que viveu no Brasil tinha o tamanho de uma ovelha!) A espécie Eremotherium laurillardi foi a mais comum delas, com fósseis encontrados em quase todos os Estados brasileiros. Essa espécie era realmente gigante: pesava cerca de 5 toneladas e podia alcançar até 5 metros de altura. Obs: O Sid, do filme “A Era do Gelo” é uma preguiça-gigante, mas ele não é das maiores que já existiram!

Mastodontes  mastodonte

Os mastodontes são parentes extintos dos elefantes, assim como os mamutes. A diferença principal entre os dois é que os mamutes viveram apenas em locais frios, como na América do Norte, no norte da Europa, e principalmente na Sibéria (região gelada no norte do continente asiático), enquanto os mastodontes se espalharam por várias regiões do planeta. Como você pode imaginar, no Brasil foram encontrados apenas fósseis de mastodontes. Já o Manny, do filme “A Era do Gelo”, é um mamute.

TatuGlyptodons-gigantes

Assim como as preguiças-gigantes, várias espécies de tatus gigantes também viveram em nosso país. O maior deles, chamado Glyptodon clavipes, tinha aproximadamente o tamanho de um carro Fusca! Essa espécie possuía uma clava (um tipo de porrete) espinhosa na ponta da cauda que usava para defender-se de predadores. Andavam devagar e comiam apenas vegetais (eram herbívoros).

Toxodontes Toxodon

Os toxodontes eram grandes herbívoros parecidos com os rinocerontes de hoje. Possuíam um corpo grande e forte e pernas curtas. Os dentes desse animal indicam que eles provavelmente eram pastadores, alimentando-se de grama.

tigre-dente-de-sabre

Tigres-dentes-de-sabre

O tigre-dentes-de-sabre foi o maior carnívoro da América do Sul (era maior do que um leão!). A principal característica desse animal era seus dois dentes de cima (os dentes caninos), longos e afiados, que usava para matar suas presas. O Diego, do filme A Era do Gelo é um tigre-dentes-de-sabre.

Paleolhamas PALAEOLAMA

Essas lhamas pré-históricas eram bem parecidas com as lhamas que vivem hoje na Cordilheira dos Andes, porém, eram maiores e mais pesadas. No Brasil, além de esqueletos completos, foram descobertos coprólitos (cocô fóssil!) e pelos, os quais eram longos e de coloração marrom-clara. Ao contrário das lhamas atuais, as paleolhamas não viviam em montanhas, habitando ambientes mais planos.

MACRAUCHENIA

Macrauquênias

As macrauquênias eram animais herbívoros do tamanho de camelos, com as pernas da frente mais compridas do que as pernas de trás, como as girafas, e que apresentavam o nariz ligado a uma pequena tromba, como as antas. Como você pode notar, as macrauquênias apresentavam características de vários outros animais, sem parecer exatamente com nenhum deles!

Esse tema dá trabalho!

Que tal ajudar a conhecer mais sobre quem eram os animais gigantes que viveram no Pleistoceno brasileiro? Elver Luiz Mayer, aluno de doutorado em Paleontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem se dedicado a essa tarefa e nos conta, na entrevista abaixo, como é seu trabalho.

Criança ComCiência (CCC): Para quem pensa em trabalhar pesquisando os fósseis de animais da Megafauna Pleistocênica, qual a formação necessária?

Elver Mayer (EM): Como atualmente não existe uma graduação específica na área de Paleontologia, o ponto de partida costuma ser a graduação em Ciências Biológicas (Biologia) ou em Geologia. Depois o interessado pode se aprofundar através de cursos de pós graduação. 

CCC: Quais características e habilidades alguém que quer trabalhar nessa área precisa ter?

EM: Antes de tudo é preciso gostar da natureza, pois para encontrar os fósseis é preciso realizar atividades de campo. Além disso, acredito que as principais características são a determinação e a paciência. A primeira é importante para que o interessado não se desvie do objetivo e a segunda para que ele consiga enfrentar os desafios que surgem ao longo do trabalho. Já as habilidades importantes nesta área são a memória visual, pois o tamanho e forma dos fósseis são imprescindíveis para sua identificação, e a imaginação, afinal, os fósseis nos contam apenas uma parte da história do passado do planeta. 

CCC: Quais são os maiores desafios e as maiores alegrias no trabalho com os fósseis desses animais?

EM: O maior desafio para mim é que existem muitos aspectos dos fósseis para os quais temos poucas informações. Sendo assim, não existe uma receita perfeita para estudá-los e os pesquisadores podem sempre aprender ou até desenvolver novas técnicas. As alegrias são muitas: trabalhar em meio à natureza quando se está em campo, desvendar os segredos desses animais do passado, conhecer novos lugares e pessoas durante as reuniões científicas etc.

CCC: Onde eu posso trabalhar se eu seguir essa carreira?

EM: Geralmente os profissionais dessa área atuam em universidades, museus e mais recentemente, também em empresas privadas, realizando estudos sobre a ocorrência dos fósseis em locais que serão alvo de obras de diversos tipos.

Multimídia

Vídeo “Como desenhar um tigre-dentes-de-sabre” https://www.youtube.com/watch?v=WWo97q6j9zk

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Água

Por que está faltando água?

(Imagem: Dalcio Machado)

(Imagem: Dalcio Machado)

Precisamos economizar água, se você mora no estado de São Paulo já deve ter ouvido muito sobre isso e até deve estar tomando banhos mais rápidos em casa, não é verdade?

Temos que economizar, porque estamos com pouca água em nossos rios e reservatórios da região e independentemente disso, não podemos desperdiçar, mas você sabe realmente por que estamos com pouca água?

Para responder esta pergunta conversamos com o professor Augusto José Pereira Filho, do Departamento de Ciências Atmosféricas do IAG da Universidade de São Paulo (USP). O professor lembra que tivemos no início de 2014 um verão de muito calor e pouca chuva, o que geralmente não acontece. Pois os meses mais quentes do ano são, na maioria das vezes, os mais chuvosos aqui no estado de São Paulo. Para piorar a situação, logo em seguida tivemos um outono e um inverno de poucas chuvas, o que é normal, pois nessas estações do ano costuma chover menos. O somatório de tantos meses sem ou com poucas chuvas contribuiu para que sobrasse menos água.

“Com menos chuvas e mais calor, a água dos reservatórios diminui, pois com o calor, há mais consumo de água pela população e a água nos reservatórios também evapora em maior quantidade. A conta é bem simples, a quantidade de água que sobra depende da chuva que cai na bacia dos reservatórios, da que evapora e da que é consumida”, explica Augusto.

Novembro de 2014 (Fotos: Leandro Ferreira)

Novembro de 2014 / Foto: Leandro Ferreira

Novembro de 2013 (Foto: Leandro Ferreira)

Novembro de 2013 / Foto: Leandro Ferreira

Para que nossos rios, represas e reservatórios de água voltem a ficar cheios será necessária ainda muita chuva, porque o solo seco é semelhante a uma esponja que absorve toda a água que cai. Por este motivo as chuvas dos últimos dias foram boas para as plantas e para o solo, mas ainda não resolveram o problema. Para que a água volte a se acumular na terra e a encher os rios, represas e reservatórios é necessária muita chuva por um bom tempo.

Conheça o ciclo da água!

350px-Ciclo_da_águaA água está presente nos oceanos, rios, lagos e reservatórios no estado líquido. Na medida em que a   temperatura esquenta ela começa a se evaporar passando para o estado gasoso e sobe para a atmosfera formando as nuvens. As nuvens são compostas pelas gotículas de água minúsculas que evaporaram. Quanto mais água, maior a nuvem e o tamanho das gotas que formam essa nuvem. Até que elas ficam muito pesadas e caem na forma líquida, formando a chuva. Ao cair a água abastece oceanos, rios, logos e reservatórios, retorna a terra, alimenta as plantas, é absorvida pelo solo, abastecendo ou formando novos lençois freáticos (reservatórios de água existentes abaixo da terra). Basta esquentar um pouco para a água na forma líquida se evaporar novamente e dando continuidade ao ciclo da água.

No estado de São Paulo, o período que mais chove vai de outubro a março, a esperança é que as chuvas que já começaram a cair continuem e que as cidades construam e melhorem os seus reservatórios de água para solucionar o problema. De qualquer forma todos nós podemos e devemos colaborar e continuar economizando esse bem tão precioso que é a água.

Como se calcula a quantidade de chuva?

O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP desenvolve atividades de pesquisa   e ensino e entre elas, está calcular a quantidade de chuva que cai. Por meio desse calculo é possível saber se choveu muito ou pouco.

O calculo é feito por meio de instrumentos pluviômetros, que são recipientes que acumulam as gotas de água que caem Pluviometrodentro dele durante a chuva. A água vai enchendo o pluviômetro, que possui dentro uma régua, que marca a quantidade de água que caiu. É como encher um copo comprido de água, mas a diferença é que este possui números, que registram onde o nível a água alcançou. Com base nesta marcação é então possível descobrir se está chovendo muito ou pouco.

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Museus de Ciências

Museus nas férias, já pensou nisso?

Eles nos ensinam sobre história, dinossauros, meio ambiente, animais, planetas, como as coisas funcionam, obras de arte e muito mais. Visitar um museu é uma maneira diferente de aprender e se divertir ao mesmo tempo e uma boa dica de passeio nessas férias. Confira a lista de museus que preparamos para vocês visitarem com toda a família!

Museu de Astronomia e Ciências Afins – MAST (RJ)

Para quem gosta de olhar para as estrelas, este é o museu ideal. Filmes, oficinas, teatro, jogos e até observação do céu em telescópio são algumas das inúmeras atividades oferecidas.

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) é ideal para as crianças que amam ciência, que são curiosas e adoram explorar planetas e estrelas. O museus oferece diversas atividades legais para as crianças, como jogos, filmes, observação do céu por telescópio é muito mais.

Endereço: Rua General Bruce, 586 – Bairro Imperial de São Cristóvão – Rio de Janeiro

Horários: terça, quinta e sexta, das 9h às 17h; quarta, das 9h às 20h; sábado, das 14h às 20h; domingo e feriado, das 14h às 18h

Preço: grátis

Contato: (21) 3514-5200 / mast@mast.br

Museu Paraense Emílio Goeldi (PA)

Ideal para quem gosta de animais e plantas, este é o parque zoobotânico mais antigo do Brasil, com inúmeros animais e plantas.

Endereço: Av. Magalhães Barata, 376 São Braz – Belém – Pará (portaria Nove de Janeiro)

Horários do parque: terça a domingo, das 09h às 17h com adequações conforme feriados.Todas as segundas feiras são reservadas para atividades de limpeza e conservação do parque.

Contato: (91) 3182-3231 / http://www.museu-goeldi.br/

Catavento Educacional e Cultural (SP)

Aqui o visitante encontra história e ciência de um jeito divertido, onde se pode cobertas com      personagens históricos e interagir com eles. O Catavento é dividido em seções: Universo, Vida, Engenho e Sociedade.

Endereço: Parque Dom Pedro II, s/n° – Centro – metrô Pedro II, São Paulo – SP

Horários: terça-feira a domingo, das 9h às 17h.

Preço: R$ 5 (inteira) e R$ 2,50 (meia-entrada)

Contato: (11) 3315-0051 / http://www.cataventocultural.org.br/

Museu de Ciências e Tecnologia da PUC (RS)

O museu conta com cerca de 700 equipamentos, dos quais sacripantas podem mexer e aprender. Lá é possível saber mais sobre os dinossauros, como funciona um eclipse, um vulcão e muitas outras atrações.

Endereço: Avenida Ipiranga, 6681, prédio 40 – Porto Alegre – Rio Grande do Sul

Horários: terças, quintas e sextas, das 9h às 17h; quartas, das 9h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

Preço: R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia-entrada)

Contato: (51) 3320-3521 / http://www.pucrs.br/mct/

Agora que tal passear por importantes museus brasileiros, sem sair de casa?

A Fundação Planetário do Rio de Janeiro e o Museu Imperial, em Petrópolis, são exemplos de museus que podem ser visitados em casa por meio do computador. Para realizar o tour virtual, acesse a notícia da Revista Ciência Hoje das Crianças: http://chc.cienciahoje.uol.com.br/museu-em-casa-2/ e divirta-se!

Quer conhecer mais museus virtuais? O site Universia Brasil preparou uma lista com 46 museus para você conhecer sem sair de casa, acesse: http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2012/02/16/912114/46-museus-virtuais-voce-visitar-graca.html .

Entre os mais legais museus do mundo voltado para crianças, está o museu Museu de Ciências de Londres, na Inglaterra. O museu conta a história da ciência, dos dinossauros, da química e o visitante pode encontrar até uma coleção de aviões de verdade colocados no teto do museu, para conhcê-lo, acesse: http://www.sciencemuseum.org.uk/.

Museus de História Natural Paris

Foto: Wikpedia / Museu de Ciências de Londres

E têm mais, o site da Google leva você para os mais importantes, acesse: https://www.google.com/culturalinstitute/home?hl=pt-BR

Múmias egípcias

Desenho múmia para texto Múmias: o que são elas?

Você com certeza já deve ter visto por aí alguma múmia como esta ao lado, em um filme, em um desenho, em um museu ou no Dia das Bruxas. Mas você sabe o que são as múmias e qual sua origem? 

A imagem ao lado é da múmia natural de um homem, morto na neve há cerca de 5.300 anos Por ter sido encontrada no Vale do Ötztal, na Itália, a múmia foi apelidada de Ötzi (Imagem Wikimedia Commons).

A imagem acima é da múmia natural de um homem, morto na neve há cerca de 5.300 anos Por ter sido encontrada no Vale do Ötztal, na Itália, a múmia foi apelidada de Ötzi (Imagem Wikimedia Commons).

As múmias são corpos de pessoas ou animais que após a morte ficaram preservados por ação da natureza ou por ação humana. Em locais muito secos, muito frios ou com pouco oxigênio, os cadáveres podem ficar preservados porque os pequeninos organismos que se alimentam dos corpos mortos não têm condições de agir nesses ambientes. Nesse caso, ocorre o que chamamos de mumificação natural.

Já as múmias como aquelas do desenho acima, enroladas em tiras de tecido, têm sua origem no Antigo Egito e foram feitas entre 5.000 e 2.000 anos atrás, aproximadamente. Os egípcios acreditavam que a vida continuava após a morte do corpo, em um outro mundo e, para que o morto pudesse viver bem essa outra vida, seu corpo precisava ficar preservado. Dessa forma, os egípcios desenvolveram um complicado, longo e caro processo de mumificação.

Exatamente pelo fato de ser difícil produzir uma múmia, nem todas as pessoas que morriam no Antigo Egito eram mumificadas. No início, apenas os corpos dos faraós (como eram chamados os reis-deuses no Antigo Egito) eram preservados desta forma. Com o passar do tempo, outras pessoas de destaque na sociedade egípcia, como sacerdotes e altos funcionários do governo também passaram a ser mumificados. Para as pessoas mais simples, no entanto, o processo de mumificação sempre foi muito caro, como explica o arqueólogo Antonio Brancaglion Junior, coordenador do Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional – UFRJ, no Rio de Janeiro. “Os camponeses enterravam seus mortos direto na areia”, conta o pesquisador. Talvez eles fizessem isso na esperança de que seus corpos ficassem preservados de maneira natural, por causa do ambiente extremamente seco.

Para aquelas famílias que podiam pagar pela mumificação de seus mortos, o processo era realizado por sacerdotes especialistas. “Havia um sacerdote responsável por cada etapa da preparação de uma múmia e os mais importantes eram aqueles que faziam as rezas finais”, conta Brancaglion Junior. Durante todo o processo de mumificação eram realizados rituais sagrados que ajudavam a preparar o morto para sua nova vida.

Como parte da preparação para a vida após a morte, junto com as múmias eram guardados tesouros, amuletos de proteção e objetos pessoais que pudessem ajudar a pessoa em sua nova vida. Para preservar esses objetos e a própria múmia de ladrões e curiosos, as tumbas egípcias costumavam ser lacradas, algumas tinham suas entradas escondidas e muitas delas pareciam um labirinto. As conhecidas pirâmides egípcias são apenas um dos tipos de tumbas, geralmente reservadas aos grandes faraós.

Múmias animais!

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Gato mumificado no Antigo Egito, há cerca de 2.100 anos (Imagem Wikimedia Commons).

E não eram só as pessoas próximas que os egípcios costumam mumificar. Muitos animais também foram transformados em múmias durante a história do Antigo Egito. De acordo com o pesquisador Antonio Brancaglion Junior, os egípcios mumificavam diversos animais e por diferentes motivos. “Os animais podiam ser mumificados por serem animais de estimação da pessoa morta, como oferendas aos deuses ou por serem animais sagrados para o povo egípcio, com alguma relação com os deuses”. Nesse último caso encontram-se os gatos, que foram os animais mais mumificados pelos egípcios. No Egito, há registro de cemitérios em que foram encontradas mais de 300 mil múmias-gato!

 

Outras múmias

Além dos egípcios, havia outros povos que tinham o costume de mumificar seus mortos, como os Incas. Um cemitério Inca, com cerca de 500 anos de idade, encontrado enterrado embaixo de uma favela, em Lima, no Peru, revelou centenas de múmias enroladas em camadas de algodão, formando uma espécie de casulo, como aqueles produzidos pelas lagartas. Em cada casulo podia haver uma ou mais múmias, além dos objetos pessoais dos mortos.

Um dos casulos encontrados na favela de Lima chamou a atenção dos arqueólogos pela grande quantidade de algodão utilizada para enrolar as duas múmias que descansavam lá dentro: um bebê e um homem, apelidado de “O Reio do Algodão”. Os pesquisadores acreditam que os dois eram parentes e provavelmente eram pessoas ricas, pela variedade de objetos enterrados junto com eles.

Assim como os egípcios, os Incas acreditavam na vida após a morte. Esse povo pensava que as almas dos mortos mantinham contato com os vivos e, por isso, cuidavam bem daqueles que se foram dessa vida.

A maldição das múmias

Se mesmo depois de conhecer tantas informações interessantes sobre as múmias você ainda sentir medo de encontrar uma delas andando por aí, saiba que as múmias egípcias não costumavam abandonar suas tumbas, como nos explica Brancaglion Junior. “Ao contrário do que muita gente pensa, os egípcios não acreditavam que as múmias iriam se levantar e sair andando. Na verdade, eles acreditavam que a pessoa era feita de vários elementos e todos eles deveriam ser preservados para que aquela pessoa pudesse viver no além. Isso não quer dizer que o corpo mumificado seria usado novamente e sairia passeando por aí.”

Mas de onde então vem a história da maldição das múmias e o medo que elas costumam causar? Provavelmente vem do fato de que as tumbas egípcias guardavam inscrições dizendo que aqueles que perturbassem o morto seriam amaldiçoados. Os egípcios faziam essas inscrições para afastar os ladrões e impedir que o corpo mumificado fosse mexido. Além disso, como ficam muito tempo fechadas dentro das tumbas, as múmias podem desenvolver fungos (parecidos com aquele bolor que aparece no pão velho) que são venenosos para as pessoas. Nesses casos, ao abrir os sarcófagos (uma espécie de caixão onde as múmias eram colocadas), os fungos espalham-se pelo ar e podem realmente matar aqueles que perturbaram o sono do morto.

Como fazer uma múmia! O processo de mumificação

*Texto adaptado de http://www.ngkids.co.uk/did-you-know/make_a_mummy

(Ilustrações de Marek Jagucki)

Você quer ter certeza de que um corpo se preservará para a vida após a morte? Então junte-se a nós para descobrir como os antigos egípcios preparavam suas múmias!

  1. Para começar, lave o corpo do morto com vinho e água do rio Nilo (principal rio do Egito). Faça um pequeno corte na parte lateral da barriga e retire os órgãos internos. Para retirar o cérebro, enfie um gancho pelo nariz e torça-o até que o cérebro se desfaça e seja possível puxá-lo para fora. Desfaça-se desse órgão. F5g 1
  2. Limpe o fígado, os pulmões, o intestino e o estômago e guarde-os em vasos especiais, chamados de canopos, cujas tampas representam as cabeças dos deuses protetores de cada órgão. O coração deve permanecer no corpo, pois, para os antigos egípcios, esse órgão era o centro da inteligência.
  3. Use um sal egípcio especial, chamado natrão, para preencher as cavidades do corpo e cobri-lo. O natrão irá retirar toda a umidade do corpo, porém, esse processo deverá durar cerca de 40 dias para estar completo.

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4. Passados os 40 dias, retire o natrão e encha as cavidades (buracos) do corpo com pedaços de tecido de linho encharcados em resina, com especiarias e com plantas, para que ele não perca sua forma.

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5. Enrole o corpo com ataduras de fino tecido de linho. Não se esqueça de colocar alguns amuletos da sorte entre as ataduras e diga as magias que irão ativar seus poderes mágicos de proteção. Coloque a múmia dentro de um sarcófago e esse sarcófago dentro de outro sarcófago, para que o corpo fique bem protegido. Coloque todo o conjunto em uma tumba.

Fig 4

Esse tema dá trabalho!

O que você acha de trabalhar pesquisando as múmias egípcias? Pois saiba que, mesmo no Brasil, a milhares de quilômetros de distância do Egito, é possível seguir essa carreira. Abaixo, você pode ler nossa conversa com Márcia Jamille Costa, arqueóloga especialista no estudo do Antigo Egito, autora do livro Uma Viagem pelo Nilo e do blog Arqueologia Egípcia, que deu algumas dicas para quem se interessa pela profissão.

Criança ComCiência (CCC): Para quem quer pesquisar as múmias e os processos de mumificação, que carreira deve seguir? 

Márcia Jamille Costa (MJC): Antigamente, os profissionais que estudavam as múmias eram aqueles cuja formação estava ligada a alguma área das ciências médicas e com pouca ou nenhuma ligação com a Arqueologia, isto quando as dissecações (ato de desenfaixar o corpo) de muitas múmias não eram feitas por aventureiros ou colecionadores de peças antigas. Felizmente, nos dias atuais o cenário é bem diferente. Os profissionais de áreas médicas, como Medicina, Biologia, Veterinária, ainda estão presentes, mas agora com especialização em Bioarqueologia (disciplina que estuda os restos mortais de seres vivos que viveram no passado) ou dentro de uma equipe que inclui vários profissionais, entre eles o arqueólogo.

CCC: Quais características e habilidades alguém que quer trabalhar nessa área precisa ter?

MJC: O fundamental é conhecer sobre esqueleto, sabendo como identificar a partir dos ossos características como o sexo, a idade e a possível causa da morte da pessoa. Também é bom conhecer um pouco sobre a estrutura muscular e a localização dos principais órgãos do corpo. Além disso, é preciso entender sobre Tanatologia, que é o estudo das mudanças físicas nos corpos, causadas pela morte; e sobre Tafonomia, que é o estudo dos processos pelo qual o corpo passou após a morte e que vai ajudar a definir o que de fato provocou a mumificação. Também acredito que o profissional tem que ter ética e consideração com os mortos. Não tem coisa mais triste e infantil durante um trabalho de campo ou laboratório do que ver um colega ou aluno brincando com partes de um corpo, como se fosse somente um objeto para a curiosidade e não o que sobrou de uma pessoa que no passado respirou, amou, odiou e que até mesmo pode ter caminhado um dia pela área do sítio arqueológico pesquisado.

CCC: Quais são os maiores desafios e as maiores alegrias no trabalho em Arqueologia Egípcia?

MJC: Alguns dos principais desafios, no caso do nosso país, ainda é a fraca união entre os pesquisadores brasileiros e o aparecimento e desaparecimento de grupos de estudos. Já em um contexto mundial é insistir em manter os estudos sobre o Antigo Egito usando técnicas e conhecimentos já muito antigos. Nesse sentido, a Egiptologia precisa se atualizar, mas poucos fazem algo de fato para mudá-la.

Já as alegrias são muitas, mas a principal é estar em uma posição de poder conhecer a história de um ponto de vista privilegiado. Parte da minha infância e adolescência, eu passei lendo sobre a vida no Antigo Egito, mas agora sou eu quem está escrevendo e discutindo esta história e outras pessoas estão no meu antigo lugar, saciando sua curiosidade. Fora a oportunidade que tive de conversar com pessoas que eu via em documentários e admirava o trabalho. É muito legal! De vez em quando, escuto ou leio histórias de crianças ou adolescentes que ganharam o meu livro e ficaram muito felizes. É bastante satisfatório saber que o meu amor pela profissão está influenciando na educação de alguns meninos e meninas espalhados por este Brasil.

CCC: Você já foi ao Egito? É possível trabalhar com Arqueologia Egípcia sem sair do Brasil?

MJC: Nunca fui ao Egito. Tive a oportunidade de ir estudar lá uma vez, em Amarna (local onde o famoso faraó Tutankhamon nasceu e a rainha Nefertiti e o faraó Akhenaton viveram), mas optei por permanecer no Brasil e terminar meus estudos. A viagem ao Egito seria muito cara e escolhi investir meu dinheiro em outras coisas. Claro que planejo ir escavar no Egito um dia, mas não como uma estudante que precisa pagar, quero ir como arqueóloga! Quem sabe até futuramente como coordenadora de escavação… (risos)

Sobre se é possível trabalhar com Arqueologia Egípcia sem sair do Brasil? Sim, é possível e deve ser feito. Algumas pessoas, especialmente quem está começando agora na Arqueologia, costumam acreditar que a profissão de arqueólogo se faz só escavando a areia, procurando objetos… Mas a realidade é bem diferente. Em verdade, tanto para o Egito, como para o restante do mundo, seria mais interessante aproveitar os objetos que estão em universidades e museus. Existem teorias e metodologias novas que podem ser aplicadas e proporcionar novas interpretações para o passado. As revisões de antigas traduções também são necessárias e até as análises de diários de campo podem ser desenvolvidas por arqueólogos! No meu caso, por exemplo, fiz um trabalho de discussão do uso simbólico e físico da água durante o Egito faraônico através da perspectiva da Arqueologia de Ambientes Aquáticos e isso sem precisar tocar em um grão de areia, mas aproveitando o que já foi escavado e documentado por outros colegas arqueólogos.

Multimídia

Vídeo “Como desenhar uma múmia”

https://www.youtube.com/watch?v=CDglBvy79JY

Jogo “Múmia pra lá, múmia pra cá”

http://chc.cienciahoje.uol.com.br/multimidia/jogos/mumia/

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